Funcionário público, sujeito apagado, solteiro, masturbador compulsivo e ávido consumidor de pornografia digital ou em suporte de papel. Levava porrada no recreio da escola e nunca conseguiu comer nenhuma das badalhocas que povoavam aquilo. Heterossexual (acho importante frisar este ponto) – “um cú pode ser um cú, mas há um milhão de pêlos de diferença…”
Proprietário de um pequeno utilitário a diesel e cliente da oficina – aquela merda volta e meia tem de lá ir. Devia ter chumbado a português e chumbou a matemática, mas como ateava o fogo nas entranhas da prof. (sabe-se lá porquê, desvios…), a gaja passou-o. Trabalha para o Estado porque é demasiado preguiçoso e desprovido de iniciativa para trabalhar no provado, ou por conta própria a aturar cabrões que o podem despedir ou foder-lhe a vida aqualquer momento – anda fodido com esta merda da mobilidade…
Vive para as viagens que faz, embora tenha um medo tremendo de por um pé fora de casa – viaja bastante na própria cabeça e devia estar medicado.
Monday, April 23, 2007
Wednesday, March 14, 2007
Sr. Manel
Oriundo de Freixo de Espada à Cinta, o Manelito chegou à capital para trabalhar no sector automóvel e foi durante a juventude um obediente aprendiz, convenientemente e constantemente mascarrado de óleo e fuligem.
Já nos tempos do Ferodo, o Sr. Manel aquire um estabelecimento próprio e constitui família, que consiste na patroa e na filha, que mantém um affaire com o Tó Manel, embora este não se lembre.
Instituído como patrão, há anos que não toca em desperdício e tem as unhas escrupulosamente limpas. Benfiquista dos tempos do Vítor Baptista, tem devido a isso bem presente o flagelo das drogas e não consente um simples ambientador na latrina que serve a oficina.
A vida sentimental do Sr. Manel passa por um caso, ou mais, com a mãezinha da Marilene, nos verões da Caparica. Claro que a patroa nem imagina. Nem essa nem as outras...
Mas tem um problema: de quando em vez tem uns ataques de dupla personalidade que o deixam perplexo consigo próprio e que mantêm o hábito de comprar uma determinada publicação quinzenal, que ele transporta num saco opaco e guarda debaixo do calendário Firestone 1993/1994 que mantém, plastificado, no tampo da secretária.
Sr. Manel is no more.
Já nos tempos do Ferodo, o Sr. Manel aquire um estabelecimento próprio e constitui família, que consiste na patroa e na filha, que mantém um affaire com o Tó Manel, embora este não se lembre.
Instituído como patrão, há anos que não toca em desperdício e tem as unhas escrupulosamente limpas. Benfiquista dos tempos do Vítor Baptista, tem devido a isso bem presente o flagelo das drogas e não consente um simples ambientador na latrina que serve a oficina.
A vida sentimental do Sr. Manel passa por um caso, ou mais, com a mãezinha da Marilene, nos verões da Caparica. Claro que a patroa nem imagina. Nem essa nem as outras...
Mas tem um problema: de quando em vez tem uns ataques de dupla personalidade que o deixam perplexo consigo próprio e que mantêm o hábito de comprar uma determinada publicação quinzenal, que ele transporta num saco opaco e guarda debaixo do calendário Firestone 1993/1994 que mantém, plastificado, no tampo da secretária.
Sr. Manel is no more.
Tuesday, March 13, 2007
Marilene: a menina do calendário
Marilene de Todos os Santos é o seu nome completo. Menina de calendário (figura plana, mas animada) dos tempos áureos dos anos oitenta, quando estava em voga a farta cabeleireira loira e os leggings prateados. Aderiu ao movimento punk, onde conheceu Tó Manel, numa dessas demonstrações anti-qualquer coisa. No entanto, a sua mãezinha, admiradora incondicional de Marilyn Monroe e das cinturas finas, quis que ela fosse menina de calendário na oficina do Sr. Manel. Marilene, ao princípio relutante com o seu destino, aceitou, na esperança de um dia descobrir se o Sr. Manel é, ou não, o seu verdadeiro pai. Com a morte da sua mãezinha e com os constantes devaneios de Tó Manel, tornou-se uma menina devota de todos os Santos, para fazer jus ao nome que a sua mãezinha lhe pôs e, assim, completar o seu destino. É a voz da consciência da oficina, mas, com os seus conselhos diários, vai demonstrando um pouco da velha Marilene que ainda existe em si. Apesar de tudo, continua a sonhar e tudo o que quer na vida é ser feliz!
Ibeson Gudiear
Quando nasceu era lindo, lá na Chapata Diamantina era o orgulho de seus pais... Mas sempre foi um azarado este persegue-o e massacra-o.
Começou na escola quando o confundiram com uma rapariga e o puseram na escola de meninas. Quando se inscreveu na faculdade uma má interpretação da senhora que fazia o controlo das inscrições colocou-o no Curso de Literatura Clássica Cambodjana pela vida fora o azar rodeia-o e manda-o mesmo em busca do sonho da vida dele não no cambodja mas sim em Portugal na oficina do Manel.
Religioso quanto baste, vai ao culto na junta sempre que pode porque julga que esta é a unica maneira de a polícia não o recambiar de volta para Mucugê e também para conhecer mulheres.
Ama sem ser amado e sofre porque Marilene a menina do Calendário não tem olhos para ele.
Ficará eternamente agradecido ao Sr. Manel por o ter abrigado no quartinho do fundo da oficina junto aos bidons de óleo Castrol.
Começou na escola quando o confundiram com uma rapariga e o puseram na escola de meninas. Quando se inscreveu na faculdade uma má interpretação da senhora que fazia o controlo das inscrições colocou-o no Curso de Literatura Clássica Cambodjana pela vida fora o azar rodeia-o e manda-o mesmo em busca do sonho da vida dele não no cambodja mas sim em Portugal na oficina do Manel.
Religioso quanto baste, vai ao culto na junta sempre que pode porque julga que esta é a unica maneira de a polícia não o recambiar de volta para Mucugê e também para conhecer mulheres.
Ama sem ser amado e sofre porque Marilene a menina do Calendário não tem olhos para ele.
Ficará eternamente agradecido ao Sr. Manel por o ter abrigado no quartinho do fundo da oficina junto aos bidons de óleo Castrol.
Tó Manel
Qual amálgama, não apenas de ferros torcidos, mas também de culturas, filosofias, Mobil 1 e sabe-se mais o quê, o nosso amigo encontra-se no limbo situado algures entre o punknik, o pós-tuning e o proto-existencialismo.
Rebelde sem causas, não tem partido, clube ou religião, e ainda acredita que pode mudar o mundo. Se não puder, está-se a cagar. Despreza as várias instituições da sociedade burguesa (por desilusões sucessivas com a mesma), o amor (por desilusões sucessivas com a mesma), e os apoios de motor inferiores dos Fiat Uno.
Membro activo do Contigente, não de Bromley, mas da Buraca, tenta com a sua banda (os apropriadamente chamados Anarquia de Vanguarda) viver na Lisboa dos 2000 um pouco do Reino Unido no fim dos 70. E já agora, comer alguém (a sua androginia latente é, por vezes, confundida com uma vontade atroz de foder tudo o que lhe aparece à frente) e fumar umas brocas, se possível.
Rebelde sem causas, não tem partido, clube ou religião, e ainda acredita que pode mudar o mundo. Se não puder, está-se a cagar. Despreza as várias instituições da sociedade burguesa (por desilusões sucessivas com a mesma), o amor (por desilusões sucessivas com a mesma), e os apoios de motor inferiores dos Fiat Uno.
Membro activo do Contigente, não de Bromley, mas da Buraca, tenta com a sua banda (os apropriadamente chamados Anarquia de Vanguarda) viver na Lisboa dos 2000 um pouco do Reino Unido no fim dos 70. E já agora, comer alguém (a sua androginia latente é, por vezes, confundida com uma vontade atroz de foder tudo o que lhe aparece à frente) e fumar umas brocas, se possível.
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